terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O prefácio que provavelmente você não viu no livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec


Prefácio do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec *

O título desta obra indica claramente seu objeto. Reunimos aqui todos os elementos capazes de esclarecer o homem sobre seu destino. Como em nossos outros escritos sobre a doutrina espírita, não pusemos aqui nada que seja produto de um sistema preconcebido ou de uma outra concepção pessoal que não teria nenhuma autoridade: tudo aqui é deduzido da observação e da concordância dos fatos.

O Livro dos Espíritos contém as bases fundamentais do espiritismo; é a pedra angular do edifício; todos os princípios da doutrina estão ali colocados, até aqueles que devem servir-lhe de coroamento; mas era preciso dar seus desenvolvimentos, deduzir dali todas as consequências e todas as aplicações, à medida que elas se desenrolavam pelo ensinamento complementar dos Espíritos, e por novas observações; é o que fizemos no Livro dos Médiuns e no Evangelho segundo o espiritismo de pontos de vista especiais; é o que fazemos nesta obra, de um outro ponto de vista, e é o que faremos sucessivamente naquelas que nos restam por publicar, e que virão a seu tempo.

As ideias novas não frutificam a não ser quando a terra está preparada para recebê-las; ora, por esta terra preparada, não se deve entender algumas inteligências precoces que só dariam frutos isolados, mas um certo conjunto na predisposição geral, a fim de que, não só ela dê frutos mais abundantes, mas que a ideia, encontrando pontos de apoio mais numerosos, suscite menos oposição, e seja mais forte para resistir a seus antagonistas. O Evangelho segundo o espiritismo era já um passo à frente; O Céu e o Inferno é um passo a mais cujo alcance será facilmente compreendido, pois ele toca no âmago de certas questões, mas não devia vir mais cedo.

Se considerarmos a época em que o espiritismo apareceu, reconhece-se facilmente que veio em tempo oportuno, nem cedo demais, nem tarde demais; mais cedo, ele teria abortado, porque, sem desfrutar de simpatias suficientes, teria sucumbido aos golpes de seus adversários; mais tarde, teria perdido a ocasião favorável de se produzir; as ideias poderiam ter tomado outro curso de onde teria sido difícil desviá-las. Era preciso dar tempo para que as velhas ideias se desgastassem e se provasse sua insuficiência, antes de apresentar outras novas.

As ideias prematuras abortam, porque não se está maduro para compreendê-las, e a necessidade de uma mudança de posição ainda não se faz sentir. Hoje é evidente para todo mundo que se manifesta um imenso movimento na opinião; realiza-se uma reação formidável no sentido progressivo contra o espírito estacionário ou retrógrado da rotina; os satisfeitos da véspera são os impacientes do dia seguinte. A humanidade está em trabalho de parto; existe alguma coisa, uma força irresistível que a impele para diante; ela é como um jovem saído da adolescência que entrevê novos horizontes sem os definir, e se livra dos cueiros da infância. Deseja-se algo melhor, alimentos mais sólidos para a razão; mas esse melhor permanece vago; é procurado; todo mundo se dedica a isso, desde o crente até o incrédulo, desde o trabalhador agrícola até o cientista. O universo é um vasto canteiro de obras; uns demolem, outros reconstroem; cada qual talha uma pedra para o novo edifício cuja planta definitiva só o grande Arquiteto possui, e cuja economia se compreenderá apenas quando suas formas começarem a desenhar-se acima do solo. Foi esse momento que a soberana sabedoria escolheu para o advento do espiritismo.

Os Espíritos que presidem ao grande movimento regenerador agem portanto com mais sabedoria e previdência do que os homens podem fazer, porque eles contemplam a marcha geral dos acontecimentos, ao passo que nós vemos apenas o círculo limitado de nosso horizonte. Tendo chegado os tempos da renovação, segundo os decretos divinos, era preciso que em meio às ruínas do velho edifício, o homem, para não esmorecer, entrevisse as fundações da nova ordem de coisas; era preciso que o marinheiro pudesse distinguir a estrela polar que deve guiá-lo ao porto.

A sabedoria dos Espíritos que se mostrou no surgimento do espiritismo, revelado quase instantaneamente em toda a terra, na época mais propícia, não é menos evidente na ordem e gradação lógicas das revelações complementares sucessivas. Não depende de ninguém coagir a vontade deles a esse respeito, pois eles não medem seus ensinamentos pelo grau de impaciência dos homens. Não nos basta dizer: “Gostaríamos de ter tal coisa,” para que ela seja dada; e convém-nos ainda menos dizer a Deus: “Julgamos que chegou o momento de nos dardes tal coisa; julgamo-nos suficientemente avançados para recebê-la;”, pois seria dizer-lhe: “Sabemos melhor do que vós o que convém fazer.” Aos impacientes, os Espíritos respondem: “Começai primeiro por saber bem, compreender bem, e sobretudo praticar bem o que sabeis, a fim de que Deus vos julgue dignos de aprender mais; depois, quando chegar o momento, nós poderemos agir e escolheremos nossos instrumentos.”

A primeira parte desta obra, intitulada Doutrina, contém o exame comparado das diversas doutrinas sobre o céu e o inferno, os anjos e os demônios, as penas e as recompensas futuras; o dogma das penas eternas é aqui encarado de uma maneira especial, e refutado por argumentos tirados das próprias leis da natureza, e que demonstram, não só o lado ilógico, já assinalado cem vezes, mas a impossibilidade material. Com as penas eternas desaparecem naturalmente as consequências que se acreditara poder tirar daí.

A segunda parte encerra inúmeros exemplos apoiando a teoria, ou melhor, que serviram para estabelecer a teoria. Eles devem sua autoridade à diversidade de tempos e lugares em que foram obtidos, pois se emanassem de uma única fonte, poder-se-ia vê-los como produto de uma mesma influência; eles devem-na, além disso, à sua concordância com o que se obtém todos os dias em toda a parte onde há dedicação às manifestações espíritas de um ponto de vista sério e filosófico. Esses exemplos poderiam ter sido multiplicados ao infinito, pois não há centro espírita que não possa fornecer notável contingente deles. Para evitar repetições fastidiosas, precisamos fazer uma escolha entre os mais instrutivos. Cada um desses exemplos é um estudo, em que todas as palavras têm seu alcance para todo aquele que as meditar com atenção, pois de cada ponto jorra uma luz sobre a situação da alma após a morte, e a passagem, até agora tão obscura e tão temida, da vida corpórea à vida espiritual. É o guia do viajante antes de entrar num país novo. A vida de além-túmulo desenrola-se aí sob todos os seus aspectos, como um vasto panorama; cada qual extrairá daí novos motivos de esperança e de consolo, e novos apoios para reforçar sua fé no futuro e na justiça de Deus.

Nesses exemplos, tirados na sua maioria de fatos contemporâneos, dissimulamos os nomes próprios todas as vezes que julgamos útil, por motivos de conveniência fáceis de apreciar. Aqueles que esses exemplos podem interessar reconhecê-lo-ão facilmente; para o público, nomes mais ou menos conhecidos, e às vezes muito obscuros, não teriam acrescentado nada à
Instrução que daí se pode retirar.

As mesmas razões que nos fizeram omitir os nomes dos médiuns no Evangelho segundo o espiritismo, nos fizeram abster-nos de nomeá-los nesta obra, feita para o futuro ainda mais do que para o presente. Eles têm tanto menos importância quanto não poderiam se atribuir o mérito de uma coisa para a qual seu próprio espírito não participou com nada. A mediunidade, aliás, não é concedida a tal ou tal indivíduo; é uma faculdade fugitiva, subordinada à vontade dos Espíritos que querem comunicar-se, a qual se possui hoje e que pode faltar no dia seguinte, que nunca é aplicável a todos os Espíritos sem distinção, e, por isso mesmo, não constitui um mérito pessoal como seria um talento adquirido pelo trabalho e pelos esforços da inteligência. Os médiuns sinceros, aqueles que compreendem a gravidade de sua missão, consideram-se como instrumentos que a vontade de Deus pode destruir quando lhe aprouver, se não agirem segundo seus desígnios; eles se regozijam com uma faculdade que lhes permite tornarem-se úteis, mas não tiram daí nenhuma vaidade. Aliás, conformamo-nos neste ponto aos conselhos de nossos guias espirituais.

A Providência quis que a nova revelação não fosse privilégio de ninguém, mas que tivesse órgãos em toda a terra, em todas as famílias, entre os grandes como entre os pequenos, segundo estas palavras das quais os médiuns do nosso tempo são a realização: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, verterei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos jovens terão visões e vossos anciãos terão sonhos. Naqueles dias, verterei do meu Espírito sobre meus servos e minhas servas, e eles profetizarão.” (Atos, cap. II, v. 17, 18.)

Mas também está dito: “Haverá falsos Cristos e falsos profetas.” (Ver o Evangelho segundo o espiritismo, cap. XXI.)

Ora estes últimos tempos chegaram; não é o fim do mundo material, como se acreditou, mas o fim do mundo moral, ou seja, a era da regeneração.

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* Embora no original da quarta edição francesa, de 1869, não conste este prefácio, nós optamos por traduzir o que consta na primeira edição, de 1865, e o inserimos aqui. (Nota da equipe revisora) Fonte: KARDECPEDIA - http://www.kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/886/o-ceu-e-o-inferno-ou-a-justica-divina-segundo-o-espiritismo/6453/prefacio

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ação espírita na transformação do mundo - J. Herculano Pires


Ação espírita na transformação do mundo

Trecho extraído do livro Curso Dinâmico de Espiritismo - Capítulo XVII, por J.Herculano Pires.

As relações humanas se baseiam na afetividade humana. Não há afetos entre corações insensíveis. Por isso a dor campeia no mundo, pois só ela pode abalar os corações de pedra. Mas o Espiritismo nos mostra que o coração de pedra é duro por falta de compreensão da realidade, de tradições negativas que o homem desenvolveu em tempos selvagens e brutais.
Essas relações se modificam quando oferecemos aos homens uma visão mais humana e mais lógica da Realidade Universal. Essa visão não tem sido apresentada pelos espíritas, que, na sua maioria, se deixam levar apenas pelo aspecto religioso da doutrina, assim mesmo deformado pela influência de formações religiosas anteriores.
Precisamos restabelecer a visão espírita em sua inteireza, afastando os resíduos de um passado de ilusões e mentiras prejudiciais. Se compreenderem a necessidade urgente de se aprofundarem no conhecimento da doutrina, de maneira a formarem uma sólida e esclarecida convicção espírita, poderão realmente contribuir para a modificação do mundo em que vivemos.
Gerações e gerações de espíritas passaram pela Terra, de Kardec até hoje, sem terem obtido sequer um laivo de educação espírita, de formação doutrinária sistemática. Aprenderam apenas alguns hábitos espíritas, ouviram aulas inócuas de catecismo igrejeiro, tornaram-se, às vezes, ardorosos na adolescência e na juventude (porque o Espiritismo é oposição a tudo quanto de envelhecido e caduco existe no mundo), mas ao se defrontarem com a cultura universitária incluíram a doutrina no rol das coisas peremptas por não terem a menor visão da sua grandeza.
Pais ignorantes e filhos ignorantes, na sucessão das encarnações inúteis, nada mais fizeram do que transformar a grande doutrina numa seita de papalvos.
Duras são e têm de ser as palavras, porque ineptas e criminosas foram as ações condenadas. A preguiça mental de ler e pensar, a pretensão de saber tudo por intuição, de receber dos guias a verdade feita, o brilhareco inútil e vaidoso dos tribunos, as mistificações aceitas de mão beijada como bênçãos divinas e assim por diante, num rol infindável de tolices e burrices fizeram do movimento doutrinário um charco de crendices que impediu a volta prevista de Kardec para continuar seu trabalho.
Em compensação, surgiram os reformadores e adulteradores, as mistificações deslumbrantes e vazias e até mesmo as séries ridículas de reencarnações do mestre por contraditores incultos de suas mais valiosas afirmações doutrinárias.
Este amargo panorama afastou do meio espírita muitas criaturas dotadas de excelentes condições para ajudarem o movimento a se organizar num plano superior de cultura. Isso é tanto mais grave quanto o nosso tempo que não justifica o que aconteceu com o Cristianismo deformado totalmente num tempo de ignorância e atraso cultural.
Pelo contrário, o Espiritismo surgiu numa fase de acelerado desenvolvimento cultural e espiritual, em que os espíritas contaram e contam com os maiores recursos de conhecimento e progresso de que a humanidade terrena já dispôs.
Todos os grandes esforços culturais em favor da doutrina foram negligenciados e continuam a sê-lo pela grande maioria dos espíritas de caramujo, que se encolhem em suas carapaças e em seus redutos fantásticos. Falta o amor pela doutrina, de que falava Urbano de Assis Xavier; falta o amor pelos companheiros que se dedicam à seara com abnegação de si mesmos e de suas próprias condições profissionais e intelectuais; falta o amor pelo povo faminto de esclarecimentos precisos e seguros; falta o amor pela Verdade, que continua sufocada pelas mentiras das trevas.


Herculano Pires. J. Curso dinâmico de espiritismo: o grande desconhecido. Ed. Paideia, 1979.

domingo, 19 de novembro de 2017

Divaldo Franco recomenda não convidar palestrantes místicos e que desvirtuam o espiritismo



Durante o 4º Congresso Espírita Sul-Americano, realizado nos dias 16, 17 e 18/out/2017, na cidade de Bogotá (COL), o conhecido médium e orador brasileiro, Divaldo Pereira Franco, conduziu um relevante seminário sobre os desafios do trabalhador espírita.

Na ocasião, Divaldo destacou a infiltração de práticas doutrinariamente esdrúxulas e estranhas ao Espiritismo, com propostas que objetivam mais a autopromoção e satisfação de interesses de seus propagadores. Dentre esses desvirtuamentos, foram citados a apometria e um projeto promovido pela Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT) denominado "Espiritizar".

Esse posicionamento é muito significativo, pois os idealizadores do projeto Espiritizar alegam ter sido orientados espiritualmente por Joanna de Angelis, a qual já escreveu diversos livros pelo médium baiano. Se, passados alguns anos de desenvolvimento, o próprio Divaldo está criticando as práticas desse projeto, o qual mais se assemelha a um apanhado místico de autoajuda transpessoal com grande lacuna doutrinária, então cai por terra a alegação da FEEMT de que Divaldo continua apoiando essa proposta, tal qual quando foi perguntado se apoiaria há muitos anos atrás quando a mesma somente estava no papel e sinalizava perspectivas moralizadoras.

Divaldo foi categórico ao afirmar que não concorda com esse projeto da FEEMT e, ainda, recomendou aos dirigentes de centros espíritas que não convidem palestrantes descomprometidos com a divulgação séria e fundamentada do Espiritismo.

Clique no link a seguir para assitir o trecho (30' a 34' do vídeo com a plaestra completa) em que Divaldo critica a apometia e o Projeto Espiritizar.


Para assistir a toda a palestra, clique no link a seguir:




terça-feira, 31 de outubro de 2017

Registro: 1º Fórum sobre Ciência Espírita do Estado do Espírito Santo




 1º Fórum de Ciência Espírita do Estado do Espírito Santo*

Na tarde do dia 28/10/17, a Federação Espírita do Estado do Espírito Santo (FEEES) realizou o seu 1º Fórum de Ciência Espírita, reunindo cerca de 130 pessoas no auditório do Hospital da Polícia Militar localizado na cidade de Vitória.
Após as boas-vindas e palavras iniciais proferidas por Dalva Souza, presidente da FEEES, os três expositores convidados apresentaram aspectos fundamentais da relação entre Espiritismo e Ciência, oferecendo esclarecimentos e provocando reflexões a um atento público formado por dirigentes e colaboradores de casas espíritas da região.
Marco Milani, professor universitário e diretor do departamento do Livro e Doutrina da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, destacou o papel fundamental que a Ciência possui na estrutura e no dinamismo do corpo teórico espírita e pontuou a excelência metodológica de Kardec nesse sentido. Ao discorrer sobre a produção e validação do conhecimento científico em contraste com informações baseadas em opiniões e juízo de valor, Milani alertou sobre o problema de se abraçar informações que contradizem os ensinamentos dos Espíritos apresentados nas obras de Kardec apenas por confiar cegamente no médium e sem qualquer evidenciação objetiva.
O segundo a se apresentar foi o médico Paulo Batistuta, diretor científico-acadêmico da Associação Médico Espírita do Estado do Espírito Santo (AMEEES), o qual elencou trabalhos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais que envolviam a relação entre saúde e espiritualidade. Batistuta sinalizou interessantes perspectivas para a pesquisa médica aproximando-se cada vez mais com a realidade espiritual.
Carlos Loeffler, professor universitário e pesquisador na FEEES, destacou a importância de se conhecer trabalhos de investigação científica desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento que tratem da temática espiritualista em geral, pois podem oferecer contribuições significativas ao pesquisador espírita. Nesse sentido, Carlos nomeou famosos pensadores que influenciaram diferentes gerações com suas propostas inovadoras e que também ofereceram elementos teóricos para abordagens espiritualistas.
Após as três apresentações, o público pôde interagir e aprofundar os tópicos tratados com perguntas e comentários aos palestrantes.
Na segunda parte do evento, representantes de grupos espíritas de pesquisa apresentaram um resumo dos estudos realizados e seus principais produtos.
Raphael Carneiro, Coordenador do Núcleo de Pesquisas Espíritas da FEEES e um dos idealizadores do evento, resumiu a proposta da própria entidade federativa em criar um núcleo dedicado à pesquisa e enfatizou a relevância desta iniciativa ao movimento espírita. Raphael lembrou o intenso trabalho desenvolvido por Lamartine Palhano Jr. e sua contribuição ao Espiritismo, deixando dezenas de livros para estudos e, principalmente, por sua postura investigativa séria e fundamentada.
Walace Neves, integrante do Grupo de Pesquisa Lampejo, da Comunidade Espírita Esperança, descreveu as atividades de pesquisa relacionadas à atividade mediúnica e aos efeitos da terapia fluídica. Nessas investigações, voluntários participaram do projeto como sujeitos a serem analisados e tiveram suas impressões e relatos registrados para posterior avaliação.
Raimundo Luiz dos Santos, integrante da AMEEES e coordenador do Grupo de Estudos do Ectoplasma, descreveu a proposta de pesquisa desse grupo, o qual se serve de um referencial espiritualista para embasar suas investigações voltadas à área da saúde.
Após as apresentações, coube a Raphael Carneiro as palavras de encerramento do evento.
As impressões gerais do público presente foram de plena satisfação e com expectativas para o 2º Fórum, o qual deverá ser realizado anualmente, conforme os organizadores do evento.




* Informações fornecidas pela equipe da FEES e de convidados.




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Reclamações e vitimismo



Reclamações e vitimismo

Marco Milani

Reclamar é uma atitude humana. Alguns reclamam mais, outros menos. Alguns com razão aos olhos do próximo, outros com razão somente aos próprios olhos.
Ao nos manifestarmos sobre o que acreditamos ser necessário e correto, exercemos o livre-arbítrio e buscamos o aprimoramento de determinado contexto, entretanto, nem sempre o que reivindicamos guarda relação com a justiça e a verdade. Em nosso acanhado nível evolutivo, não é raro observarmos o orgulho e o egoísmo motivarem essas manifestações.
Uma forma orgulhosa e imatura de posicionamento é culpar terceiros pela situação em que o reclamante se encontra. Os outros seriam os responsáveis diretos pelas infelicidades e desconfortos percebidos. Se não fossem aquelas pessoas, tudo seria diferente...
O centro espírita não está imune desses comportamentos, pois não é o rótulo que determina o comportamento dos frequentadores. Podemos encontrar queixosos recorrentes que alegam ser vítimas de dirigentes por não terem suas ideias e propostas revolucionárias acatadas na casa espírita. Algumas queixas podem ser justas e outras não.
Muitos reclamantes se consideram perseguidos e pobres vítimas das circunstâncias por não terem todos os seus desejos satisfeitos.
Alguns potencializam suas queixas nas redes sociais, tentando cooptar simpatizantes em causa própria. Acusam dirigentes de entidades espíritas de impedirem o desenvolvimento do espiritismo no Brasil e no mundo por não lhes oferecer a tribuna para se apresentarem ou por não obterem espaços privilegiados em eventos para venderem os seus livros.
Mas críticas a dirigentes existem desde os primórdios do espiritismo, pois o próprio Kardec foi chamado de centralizador e acusado por adeptos místicos de impedir que “novos ensinamentos”, obtidos sem qualquer critério metodológico sério, fossem inseridos no corpo doutrinário. Um desses queixosos foi o advogado Jean-Baptiste Roustaing, que afirmava ter recebido “novas revelações”, mas como essas se mostravam bem distante do bom senso e da coerência doutrinária, foram justificadamente rejeitadas por Kardec.
Nos dias de hoje, basta um clique para se fazer circular eletronicamente textos construídos com as mais variadas intenções e é cômodo para alguns simplesmente se afirmarem vítimas injustiçadas de malvados dirigentes de centros espíritas que tolhem suas maravilhosas iniciativas. Servindo-se do discurso acusatório atual, Roustaing chamaria Kardec de conservador, retrógrado, reacionário e outros adjetivos da moda.
Certamente, todos erram e podem melhorar, portanto o diálogo respeitoso e racional sempre será o melhor caminho para os esclarecimentos necessários às partes envolvidas em divergências de ideias. As conquistas morais, entretanto, não são obtidas por reclamações ou vitimismo, mas por trabalho e mérito.

* Texto publicado no jornal Correio Fraterno, edição 477, set/out 2017.

Link:



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

13º ENLIHPE - Programação 26 e 27/08/17


    13º ENLIHPE
Encontro Nacional da
    Liga de Pesquisadores do Espiritismo      

Tema central: Prece e Curas Espirituais

PROGRAMAÇÃO – 26/08/17

Sábado

8h30    Recepção, credenciamento e entrega de material

8h55    Prece de Abertura

9h00    Palavras iniciais: LIHPE / CCDPE-ECM / USE

9h10    Palestra 1 – Como trabalham os pesquisadores (Jáder Sampaio)

9h40    Perguntas e comentários

10h00  Intervalo

10h30  Trabalho 1: Terapia Fluídica: Apresentação de um Instrumento de Avaliação. (Raphael Vivacqua Carneiro e Clóvis Aurélio Vervloet)

11h00  Perguntas e comentários

11h20  Palestra 2 - Tema: Efeitos do passe espírita em pacientes internados em hospitais (Élida Mara Carneiro)

11h50  Perguntas e comentários

12h10  Orientações gerais e intervalo para o almoço

13h30  Atividade artística

14h00  Roda de Conversa – Tema: Teorias Científicas e Espiritismo (coordenação: Alexandre Fontes da Fonseca)

14h30  Perguntas e comentários

14h50  Trabalho 2– Tema: Uma exploração inicial em análise semântica latente de cartas psicografadas (Ademir Xavier Jr.)

15h20  Perguntas e comentários

15h50  Intervalo

16h00  Mesa Análise de pesquisas sobre trabalhos científicos relacionados a prece e curas espirituais (Jáder Sampaio e Gilmar Trivelato)

16h30  Perguntas e comentários

16h50  Encerramento das atividades do dia


PROGRAMAÇÃO – 27/08/17
Domingo


8h00    Assembleia da LIHPE

9h00    Prece de Abertura e comentários gerais

9h10    Atividade artística

9h30    Pesquisa em andamento – Tema: Pomadas, cirurgias e curas espirituais: práticas estranhas versus prática espírita. (Adolfo de Mendonça Jr.)

10h00  Perguntas e comentários

10h20 Intervalo

10h40 Trabalho 3 – Tema: Identificação de água fluidificada/energizada por médium vidente: Um experimento piloto. (Janaina Dantas e Sandro Fontana)

11h10 Perguntas e comentários

11h30 Trabalho 4 – Tema: Magnetismo ou Espiritismo? (Alexandre Fontes da Fonseca)

12h00 Perguntas e comentários

12h20 Homenagem a Lamartine Palhano Jr. (Raphael Vivacqua Carneiro)


12h30 Comentários finais e prece de encerramento 


LOCAL: UNIÃO DAS SOCIEDADES ESPÍRITAS DO ESTADO DE SÃO PAULO - USE
            Rua Dr. Gabriel Piza, 433 (próximo à estação Santana do metrô) - S.Paulo/SP


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